O logótipo do plano de animação da Congregação para os próximos seis anos (2022-2028) foi concebido pelo P. Damasceno dos Reis (Portugal).
Este logótipo revela o seu significado pouco a pouco, com três símbolos e três cores para cada período de animação. Cada símbolo tem os seus próprios recursos e abre uma dinâmica de aprofundamento ou alargamento na fase seguinte.
Do esboço desfocado (fase 0), emerge gradualmente um significado:
- primeiro uma árvore para significar a visibilidade da nossa Missão, a evangelização dos pobres (fase 1),
- depois o necessário enraizamento em Cristo através de uma vida espiritual profunda (espiritualidade espiritana, fase 2),
- e finalmente um coração toma forma, o da nossa vida comunitária intercultural (fase 3), chamado a uma unidade na diversidade, frutuosa e um sinal de esperança no seio das comunidades humanas onde vivemos.
Tomemos agora cada símbolo por si.
Missão Espiritana
Fase 1: 2022-24
A árvore:
Este símbolo recorda-nos a árvore da vida (a cruz da Páscoa), a missão do Filho. Trata-se de missão como colaboração na obra de Deus – a criação e redenção de Deus. A árvore é um símbolo da cruz e de toda a beleza do mundo criado por Deus. É também um símbolo do compromisso dos espiritanos com a justiça, a paz e a integridade da criação (JPIC). A árvore tem os seus ramos levantados, parecendo mãos viradas para o céu em ação de graças: tal como a criação louva o Senhor, o mesmo fazem os Espiritanos com os pobres e com a Virgem Maria no Magnificat.
Nesta primeira fase, a árvore, símbolo da cruz, é o único elemento claramente definido. A árvore verde não tem raízes. Por conseguinte, é transplantada. Cresceu noutros lugares e está plantada numa nova terra, como o Evangelho levado pelos missionários, crentes enraizados na sua igreja, na sua paróquia, na sua comunidade, e que se propuseram a levar o Evangelho por todo o mundo. Esta é a Missão Espiritana.
Debaixo da árvore verde, há vermelho, ainda embaçado. Pode ser o vermelho do sangue. O sangue do parto, para entrar na vida. O sangue que alimenta a vida do corpo. O sangue dado, que salva. Mas também o sangue derramado, o sangue da violência, da guerra. O sangue derramado por criminosos e dado por mártires. No meio deste sangue há um clarão, uma abertura, uma luz. Mas nada é ainda distinto. Este mundo ainda está num caos. O Evangelho do amor ainda não está enraizado nele, mesmo que a abertura branca reflicta o desejo de esperança. A missão espiritana exige hoje que se aceite ser enviado para as periferias do mundo contemporâneo para partilhar o Evangelho do amor.
Espiritualidade Espiritana
Fase 2: 2024-26
As raízes:
As raízes brancas representam a imersão na pureza das origens, o regresso à fonte cristalina. As raízes mergulham nas profundezas da terra para extrair os nutrientes essenciais à vida.
A profundidade espiritual é igualmente uma condição fundamental para que os espiritanos cumpram a missão, em fidelidade ao carisma dos nossos fundadores, para a qual o Senhor os chama. Só uma vida fundada, enraizada, em Cristo, pode perdurar e dar frutos.
A árvore plantou agora as suas raízes. Estes repetem a forma da árvore. O mundo ainda está num caos. O estrangeiro, o excluído, o diferente, ainda é temido. Os poderosos protegem-se com violência, mas a mensagem de amor de Cristo criou raízes. A esperança tomou a forma da árvore, a cruz, que superou o mal e o sofrimento. Este é o momento do crescimento.
A espiritualidade, cuja essência é tão pouco visível, guia-nos ao longo dos caminhos da participação na obra de Deus, que faz crescer o que semeamos.
Comunidades Interculturais
Fase 3: 2026-28
O Coração:
Que melhor forma de expressar o ‘Cor unum’ do lema espiritano? Este coração único deriva de uma mancha sem forma (símbolo de diversidade, mas também de potenciais tensões) vista nos logótipos das fases anteriores.
É no seio da comunidade que a experiência da nossa espiritualidade se enraíza diariamente. É no coração amoroso dos irmãos e irmãs reunidos à volta da mesa eucarística, o coração trespassado de Jesus, que o missionário encontra a energia para a missão.
O mundo já não é caótico. Assumiu a forma de um coração, porque depois de se ter enraizado nele, o Amor transformou-o. É a nova Jerusalém para a qual todos os povos convergem: um lugar de paz, onde todos vivem juntos em harmonia e respeito (Isaías, Apocalipse): “Vejam, vou fazer algo de novo!”).
Num planeta globalizado, a coabitação de culturas e povos é o grande desafio, com os receios e riscos que isso gera.
A vida comunitária é um sinal, um testemunho. Revela o que o Amor produz numa comunidade humana. Nesta linha, a vida intercultural nas nossas comunidades é um sinal profético. Mostra ao mundo que é possível viver juntos para além das diferenças. Além disso, manifesta a riqueza do encontro e a contribuição de cada cultura e de cada povo para a beleza do mundo.
Durante a longa preparação do Capítulo Bagamoyo II, rezámos com estas palavras: “Que nós, na alegria e riqueza da nossa diversidade, nos esforcemos por viver, no seio da nossa família espiritana, uma comunhão mais profunda de vida e missão”.
Que a nossa convivência, iluminada pelo Evangelho e pela nossa herança espiritana, ajude a construir pontes entre povos que se ignoram, dividem ou lutam uns contra os outros.
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