A comunidade espiritana da Casa Geral reuniu-se com profunda alegria e gratidão para celebrar um duplo aniversário: a festa do Beato Tiago Laval e os 60 anos da Casa Geral em Clivo di Cinna, o coração do serviço de comunhão, governação e discernimento missionário da Congregação. A celebração reuniu confrades, irmãs, colaboradores leigos e amigos, que se uniram em oração e ação de graças por este marco na história da Congregação.
Na sua mensagem de boas-vindas, o Superior Geral recordou o significado deste aniversário. Já se passaram sessenta anos desde que a Congregação transferiu a sua Casa Geral de Paris para Roma — uma decisão que começou por ser ponderada em 1938 e que acabou por ser confirmada no Capítulo Geral de 1962. O arcebispo Marcel Lefebvre, então Superior Geral, viu esta mudança como um passo profético: um sinal de que a Congregação se estava a tornar verdadeiramente internacional e precisava de se reposicionar no coração da Igreja e do mundo. Roma oferecia proximidade a outras congregações religiosas, aos dicastérios romanos e à Igreja universal. Mais importante ainda, simbolizava uma nova visão missionária: uma Casa Geral ao serviço de todos os confrades e da proclamação do Evangelho por todo o mundo.
O Superior Geral expressou a sua sincera gratidão a todos aqueles que contribuíram para esta jornada: os Superiores Gerais e os seus conselhos, os confrades que trabalharam na administração, os irmãos e colaboradores leigos que cuidaram da casa, e os inúmeros missionários que passaram pelas suas portas antes de regressarem às suas missões. Recordou com carinho as Irmãs de Maria Auxiliadora (Suore di Maria Ausiliatrice), que venderam o imóvel e generosamente adiaram a sua partida; os camionistas que transportaram os bens da comunidade de Paris para Roma, debaixo de chuva; e o Quinto, o coordenador leigo que trabalhou incansavelmente para preparar a casa.

Durante a celebração eucarística, o Superior Geral fez uma homilia que relacionava o aniversário com o testemunho do Beato Tiago Laval, o «Apóstolo da Maurícia». Inspirando-se na imagem de Isaías do mensageiro que corre pelas montanhas proclamando «O teu Deus reina!», destacou Laval como um verdadeiro portador do Evangelho — alguém que trouxe dignidade, paz e esperança aos mais pobres, especialmente aos escravos libertos. O estilo missionário de Laval não se caracterizava pela eficiência, mas pela caridade pastoral: «Temos de amar as pessoas, amar os pobres e fazer-lhes o bem.»
O mandato do Evangelho «Ide e fazei discípulos de todas as nações» iluminou tanto a vida de Laval como a mudança da Congregação para Roma. O Superior Geral recordou a despedida comovente registada no diário da comunidade de Paris a 31 de julho de 1966: «Adeus, 393 rue des Pyrénées…» A viagem para Roma foi um êxodo missionário que exigiu coragem, colaboração e fé. A nova casa, apesar dos desafios iniciais, foi recebida com alegria como um «local encantador».
Hoje, a Casa Geral não é apenas um edifício, mas um centro de missão, unidade e oração. Preserva a memória de Poullart des Places e Libermann e continua a ser o lugar onde a missão espiritana é discernida e enviada.
A celebração foi enriquecida pela presença de antigos Superiores Gerais, do Superior Geral dos Missionários da África, de uma irmã em representação da Superiora Geral das Irmãs Missionárias de Nossa Senhora dos Apóstolos e de dois bispos espirituanos. Depois da missa, a comunidade partilhou um aperitivo e um churrasco festivo, assinalando o dia com fraternidade, ação de graças e alegria.

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