Para nós, missionários espiritanos, estas visitas surgem como um apelo a revisitar o nosso carisma e a nossa maneira de viver a missão, seguindo os passos de Claude Poullart des Places e de François Libermann. Convidam-nos a reavivar o nosso zelo missionário no Espírito Santo, cujo selo levamos, e a empenhar-nos ainda mais pela justiça social, sendo simultaneamente artífices da paz e da reconciliação. Por fim, encorajam-nos a formar cristãos sólidos na fé, plenamente empenhados na vida e na transformação da sociedade.
Desde as visitas do Papa São João Paulo II em 1985 e 1995, seguidas da visita de Bento XVI em 2009, que os Camarões afirmaram como um importante destino para as visitas papais em África. Estas diferentes visitas sublinharam momentos marcantes da vida religiosa e social do país, colocando a ênfase na fé, na paz, na justiça e no desenvolvimento. A visita do Papa Leão XIV aos Camarões, de 15 a 18 de abril de 2026, foi considerada um acontecimento histórico, com o objetivo principal de promover a paz, a unidade e a reconciliação nacional num contexto de tensões políticas e sociais.
Durante estes quatro dias de graça, o Papa realizou uma visita pastoral a três cidades dos Camarões — Yaoundé, Douala e Bamenda —, em cada uma das quais celebrou uma Eucaristia com todo o povo de Deus. Em Yaoundé, deslocou-se ao orfanato Ngul Zamba («Força de Deus»), obra das Irmãs Filhas de Maria de Yaoundé, instituto religioso de direito diocesano fundado por Mons. René Graffin, C.S.Sp. Visitou igualmente a Universidade Católica da África Central. Em Douala, para manifestar o seu apoio às pessoas mais vulneráveis, o Papa visitou o hospital católico Saint-Paul de Nylon, uma obra das Irmãs Servas de Maria, instituto religioso fundado por Mons. Mathurin Le Mailloux, C.S.Sp. Por fim, em Bamenda, encontrou-se com as autoridades políticas e conversou com a população, em particular com os jovens e as crianças.
Este percurso ilustrou tanto o empenho espiritual como social do Papa em prol das comunidades locais. Além disso, a sua mensagem principal nas três cidades centrou-se na paz e na coesão nacional, sobretudo face ao conflito nas regiões anglófonas, na luta contra a corrupção e as injustiças, e na importância do diálogo, da solidariedade e do empenho dos jovens. Esta visita teve também uma forte dimensão espiritual, encorajando os cristãos a viver concretamente os valores do Evangelho, mas também uma dimensão política, pois ocorreu num clima pós-eleitoral tenso.
Para nós, missionários espiritanos, estas visitas surgem como um apelo a revisitar o nosso carisma e a nossa maneira de viver a missão, seguindo os passos de Claude Poullart des Places e de François Libermann. Convidam-nos a reavivar o nosso zelo missionário no Espírito Santo, cujo selo levamos, e a empenhar-nos ainda mais pela justiça social, sendo simultaneamente artífices da paz e da reconciliação. Por fim, encorajam-nos a formar cristãos sólidos na fé, plenamente empenhados na vida e na transformação da sociedade.
Christophe Mbango, C.S.Sp
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