Tema: Uma finalidade universal
Hoje, contemplamos aquilo que nos une mais profundamente do que aquilo que nos distingue. Apesar da diversidade das nossas origens, das nossas línguas e das nossas sensibilidades, partilhamos uma mesma vocação: amar e servir a Deus. Esta finalidade comum é o fundamento de toda a vida comunitária autêntica. Ao redescobri-la, podemos relativizar as nossas diferenças e aprender a recebê-las não como ameaças, mas como dons ao serviço de uma missão comum.
Palavra de Deus: Efésios 4, 2-7
“Sede humildes, mansos e pacientes; suportai-vos uns aos outros com amor; esforçai-vos por manter a unidade no Espírito, pelo vínculo da paz. Assim como a vossa vocação vos chamou a uma única esperança, assim também há um único Corpo e um único Espírito. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, acima de todos, por todos e em todos. A cada um de nós foi dada a graça, segundo a medida do dom concedido por Cristo.”
Poullart des Places: Finalidade comum para além das diferenças
“Deus criou-me apenas para O amar, apenas para O servir, e para depois desfrutar da felicidade prometida às almas justas. Eis o meu único objetivo, eis o fim para o qual devo orientar todas as minhas ações. Sou um louco se não trabalhar de acordo com este fim, uma vez que não devo ter outro. Seja o que for que aconteça daqui em diante, devo, portanto, lembrar-me de que todos os momentos que não dedico a viver bem são momentos perdidos, pelos quais terei de prestar contas a Deus.”
Interesse intercultural: afirmação de um horizonte universal que relativiza as diferenças de estatuto, de cultura ou de condições.
O jovem Cláudio Poullart des Places desempenhou no teatro o papel da “glória”; o seu biógrafo afirma que “a sua paixão era pela glória e pela reputação. Durante o seu retiro, «renunciou com alegria ao mundo, no qual não via senão vaidade, e dedicou-se ao seu Deus e a tudo o que Lhe pudesse agradar.
Após esse retiro, tinha “um carinho especial pelas obras mais obscuras, pelas obras abandonadas.”
Reflexão: Uma finalidade universal – fundamento teológico da igualdade na diversidade
Todos temos a mesma finalidade: amar e servir a Deus. Isso confere a cada vida humana um valor e um sentido fundamentais desejados por Deus. Nenhum estado de vida, nenhuma cultura ou condição social pode pretender representar por si só esta vocação. Isto permite reconhecer as diferenças sem as opor. Esta convicção tem as suas raízes na fé na criação: todos os seres humanos são criados para Deus, e não para um sistema social ou cultural específico. Esta orientação comum fundamenta uma forma respeitosa de olhar para o outro: ele nunca é um meio, mas uma pessoa chamada, tal como eu, a responder a Deus. Numa perspetiva intercultural, isto impede que se erija a própria cultura ou a própria forma de viver a fé como modelo absoluto. A diversidade das formas de vida surge então não como um obstáculo, mas como uma riqueza, uma pluralidade de caminhos que conduzem a um mesmo horizonte, abrindo-se a uma comunhão que não apaga as diferenças, mas as acolhe.
Oração
Senhor Jesus, chama-nos a todos para uma mesma vocação, apesar da diversidade das nossas origens e percursos. Lembra-nos todos os dias que estamos, antes de mais, unidos em Ti. Quando as diferenças nos cansam ou nos dividem, traz os nossos corações de volta ao essencial: amar, servir e procurar a Tua glória. Faz da nossa comunidade um sinal de unidade, ao serviço da Tua missão no mundo. Ámen.
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