Viver a comunidade intercultural
à luz de “A Escolha de um Estado de Vida”
Comemoração de Cláudio Francisco Poullart des Places
(2 de Outubro de 2026)
Novena de preparação
De 23 de Setembro a 1 de Outubro de 2026
Esta novena convida-nos a reler alguns excertos de “A Escolha de um Estado de Vida”, de Cláudio Francisco Poullart des Places, como um caminho espiritual para a vida em comunidade intercultural. À primeira vista, este texto parece ser um escrito pessoal, marcado pela introspecção e pelo discernimento vocacional, sem qualquer menção explícita ao encontro entre culturas. O próprio termo «interculturalidade» ainda não existia na época do seu autor. No entanto, a experiência espiritual que ele descreve toca no cerne do que torna possível uma vida comunitária intercultural autêntica: conhecer-se a si mesmo para melhor se abrir ao outro.
Viver numa comunidade intercultural não consiste apenas em partilhar um espaço com pessoas de origens diferentes. É, antes de mais, um caminho interior: aprender a conhecer-se a si próprio e a descentrar-se de si mesmo, reconhecer os seus apegos, purificar as suas motivações, acolher o outro sem o reduzir às suas próprias expectativas. Ora, é precisamente este trabalho interior que Poullart des Places empreende com grande lucidez em “Escolha de um Estado de Vida”. Dia após dia, ele permite que o Espírito de Deus traga à luz as suas ambições, os seus medos, os seus desejos de reconhecimento e as suas resistências ao chamamento, condição para uma verdadeira disponibilidade para com o outro e para com a missão.
Para os Espiritanos, chamados a viver e a servir em comunidades marcadas pela diversidade de culturas, línguas e sensibilidades, esta novena recorda uma verdade essencial: a interculturalidade é recebida, em primeiro lugar, como uma graça, antes de ser uma competência. Ela nasce de uma vocação profundamente enraizada em Cristo e orientada para a missão. Sem este enraizamento, as diferenças tornam-se fonte de tensões; com ele, podem tornar-se um espaço de crescimento, de conversão e de comunhão.
Todos os dias desta novena, será proposto para a nossa meditação um trecho de “Escolha de um Estado de Vida”, precedido por um excerto da Palavra de Deus. Estes textos convidam-nos a reler a nossa maneira de estar em comunidade: a nossa relação com o poder e o reconhecimento, a nossa forma de ouvir, as nossas resistências à alteridade, a nossa capacidade de acolher a mediação fraterna. Ao deixá-los ressoar na oração, poderemos pedir a graça de nos tornarmos comunidades onde a diversidade não é simplesmente suportada, mas oferecida a Deus como um caminho para uma maior fidelidade ao Evangelho.
Que esta novena ajude cada um e cada uma a renovar o seu “sim” à vocação espiritana e a viver a comunidade intercultural não como uma provação a suportar, mas como um apelo a deixarmo-nos transformar juntos pelo Espírito.
Agradecemos aos P. Jean-Marie Ombe Essomba, Hervé Buru e Raymond Jung pela preparação desta novena.
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