Tema: Mediação e discernimento comunitário
Neste último dia, contemplamos a importância da mediação na vida espiritual e comunitária. Deus fala-nos através dos irmãos, dos superiores, dos formadores, das comunidades. A vida intercultural constrói-se na escuta mútua e no discernimento partilhado. Peçamos a graça de reconhecer a ação do Espírito através destas mediações, para que a nossa comunidade se torne um lugar onde cada um possa crescer e encontrar o seu devido lugar na missão.
Palavra de Deus: Atos 9, 17–18
“Ananias partiu, pois, e entrou na casa. Impôs-lhe as mãos, dizendo: “Saulo, meu irmão, quem me enviou foi o Senhor; foi Jesus quem te apareceu no caminho por onde vinhas. Assim, recuperarás a vista e serás cheio do Espírito Santo.”“ Imediatamente caíram dos seus olhos como escamas, e ele recuperou a visão. Levantou-se e foi batizado.”
Poullart des Places: Necessidade de mediação e acompanhamento
“Vim aqui para pedir conselho à vossa divina Sabedoria. Destruí em mim todos os apegos mundanos que me seguem por toda a parte. Que eu não tenha mais, no estado que eu escolher para sempre, outros objetivos senão o de vos agradar, e como, na situação em que me encontro, me é impossível decidir nada e, no entanto, sinto que Vós quereis de mim algo mais do que as minhas incertezas, vou, Senhor, revelar-me sem disfarces aos Vossos ministros.
Fazei, pela Vossa santa graça, que eu encontre um Ananias que me revele o verdadeiro caminho, como a São Paulo; seguirei os seus conselhos como os Vossos mandamentos”
Interesse intercultural
Reconhecimento do papel dos mediadores (facilitadores, guias, intérpretes) em todo o percurso intercultural.
A inclinação de Poullart des Places pelos pobres surgiu-lhe através de «influências conjugadas” : a de sua mãe, em primeiro lugar; a de seu padrinho Cláudio de Marbeuf, que presidia o «Bureau des pauvres”; a dos jesuítas, por meio da Congregação de Nossa Senhora, onde eram convidados a agir em favor dos pobres; a do abade Bellier, que os enviava para servir os doentes e dar catequese aos órfãos; e, por fim, da amizade de Louis-Marie Grignion de Montfort, com quem reza e partilha um mesmo amor pelos pobres. Sob todas estas influências, «o coração sensível de Cláudio Poullart não teve dificuldade em abrir-se aos pobres, na expectativa de um dia se abrir à própria pobreza.”
Reflexão: A mediação como lugar de revelação da vontade de Deus
O recurso a um mediador espiritual insere o discernimento numa eclesiologia da mediação. Deus não fala apenas na interioridade imediata, mas através de figuras, de palavras, de uma tradição. Isso protege contra a ilusão de uma inspiração puramente subjetiva. Numa perspetiva intercultural, a mediação é essencial: permite traduzir, interpretar e acompanhar a passagem entre mundos simbólicos. O mediador torna-se um «passeador”, capaz de ajudar o sujeito a reconhecer o chamamento de Deus no seio da pluralidade de possibilidades. Durante a formação e ao longo do nosso ministério, precisamos de um acompanhante, de um ouvido atento que nos ajude a superar as nossas inquietações.
Oração
Espírito de sabedoria, damos-Te graças pelos irmãos e irmãs através dos quais nos falas.
Ensina-nos a ouvir, a deixar-nos aconselhar e acompanhar. Faz da nossa comunidade um lugar de discernimento partilhado, onde cada um não busque a sua própria vontade, mas o que faz crescer a missão comum. Conduz-nos pelos caminhos que desejas para nós, ao serviço do Evangelho e do mundo. Ámen.
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